Filme comentado - 1492, a Conquista do Paraíso

1492 – A Conquista do Paraíso

Com a direção de Ridley Scott, este filme foi realizado no ano da comemoração dos quinhentos anos da chegada de Cristóvão Colombo ao continente americano.

Com um primor na reconstituição da época, permitindo uma qualificada identificação da organização aristocrática do nascente Estado Nacional Absolutista espanhol, o filme nos mostra a luxuosidade da Corte, a influência dos conselheiros régios e o papel fundamental desempenhado pela Igreja Católica no Estado hispânico.

O jogo de interesses, as traições, as adulações, ambições, vaidades e relações de hipocrisia são demonstradas nas cenas que se passam na Espanha e na América.

Entretanto, a veracidade dos fatos relatados não é de total confiança. Primeiramente, o personagem Colombo é apresentado de maneira idealizada, o que lhe dá qualidades exageradas, sob diversos aspectos. O texto que serviu como referência para a realização do filme é de autoria de Fernando, filho do navegador genovês, o que já nos indica essa possibilidade de mitificação. Além disso, o diretor Scott interpretou livremente os personagens envolvidos, bem como criou alguns outros. Cristóvão Colombo acreditava ser possível atingir "el levante por el poniente", ou seja, o Oriente navegando para o Ocidente, realizando a circunavegação do planeta Terra. A reprodução da gigantesca aventura envolvida nesta navegação é muito bem demonstrada na película, ressaltando-se os motins dos marinheiros, as dúvidas e incertezas carregadas por todos. Sem apoio financeiro de Portugal, a maior potência da época, Colombo dirigiu-se à Espanha. O país buscava ainda, em 1492, a realização efetiva de sua unificação política. Os barões de Castela e Aragão ainda exerciam grande influência nas decisões dos “Reis Católicos”, Fernando e Isabel. Da mesma forma, a Igreja Católica estava diretamente vinculada ao poder, como demonstra a passagem de Colombo pela apreciação dos clérigos da Universidade de Salamanca, para avaliação da viabilidade de sua viagem. Por sinal, tal parecer foi negativo. O misticismo e a falta de conhecimento científico marcavam a época: execuções de bruxas, hereges e de pensadores que desafiavam as “verdades” de então. Colombo era Genovês. Sua Itália natal era o berço do Renascimento, do Humanismo. As navegações foram um instrumento fundamental de conquista do desconhecido. Comprovaram a forma arredondada do planeta. Superaram limites e distâncias, desafios, crendices. Para promover sua primeira viagem e obter o apoio dos Reis da Espanha, Colombo associou-se aos irmãos Pinzon. Com uma nau (Santa Maria) e duas caravelas (Pinta e Nina), partiu do porto de Palos em 3 de agosto de 1492 fazendo escala nas ilhas Canárias para reparo de uma das embarcações. Em 12 de outubro do mesmo ano, avistou a ilha de Guanahani (atual São Salvador). A viagem de Colombo insere-se no contexto fundamental de transformações que marcavam a Europa, na passagem do mundo feudal medieval para o moderno capitalismo mercantil. O Renascimento Cultural, a edificação dos Estados Nacionais, a Reforma Protestante são fatores que caracterizaram essa época de intensas mudanças, soterrando um passado limitado e fazendo surgir um novo mundo, repleto de possibilidades e desafios. O filme mostra bem esse mundo. Faz um corte histórico entre os anos que antecederam a navegação da chegada à América, até a quarta e última viagem de Colombo.

Algumas atenções especiais para o filme:

Espírito aventureiro e justificativas para navegações corretamente colocados;

Processos inquisitoriais e extremismo religioso;

Influência da Igreja na produção do saber (Universidade de Salamanca);

Grande ambição: OURO!

Pano de fundo da unificação espanhola: presença árabe e reconquista de Granada;

Gastos com a Corte: críticas aos banquetes;

Reprodução das caravelas e das navegações: perfeita!

Crença na chegada ao Oriente (até a quarta viagem);

“Choque de civilizações”: cobiça X inocência (índios viam os espanhóis como deuses);

Pensamento de Colombo ao regressar à Espanha: dúvidas sobre onde havia chegado e frustração pela pouca quantidade de ouro encontrado;

Corte: jogo de intrigas, egos e ambições Segunda expedição: 17 navios e 1500 homens Início da ocupação da América – disputas por cargos;

Maniqueísmo: Colombo (bem) X Moxica (mal)

Racismo: o “macaco” está mentindo;

Imposição religiosa – construção de igreja;

Relação com criação renascentista: plantas de Leonardo da Vinci;

Crueldade na punição desencadeia caos;

Conflitos com a nobreza de sangue (“superiores”);

Falta de controle e preparo abalam Colombo; Relatório para a Rainha detona Colombo – novo Governador;

Chegada de Américo Vespúcio ao continente; Colombo preso em Castela;

Cafajestice dos clérigos de Salamanca, ao negarem suas próprias teses e o mérito de Colombo;

1502 – última viagem à América.